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29 jan 2021

A dor é uma experiência

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A dor é uma experiência

Sabia que a dor é uma experiência multidimensional? Quando a experiência é sentida, são várias as zonas do cérebro implicadas na resposta, muito além da mera localização da origem da informação ou intensidade da mesma, zona somatossensorial. 

As zonas relacionadas com a memória, atribuição de significado, crenças, reflexão acerca das implicações, perspetiva social (dinâmica familiar, background cultural), aceitação - zona cognitiva -, emoções (medo, ansiedade, depressão) - zona afectiva, e mesmo o estado de base influenciado pela genética, doenças centrais, caracter, sono ou fadiga têm uma enorme influência na determinação da experiência. Esta é influenciada pelas características do estimulo nocivo e por aquilo que pensamos, acreditamos, fazemos, dizemos, ouvimos, vemos, cheiramos, provamos, tocamos, locais onde estamos, pessoas que se relacionam ou coisas que nos acontecem. 

Porém, tendo já uma dor crónica de base, ou stress crónico, e estando numa zona de alerta, um novo trigger pode ser a gota de água. Esse trigger pode ser o frio lá fora, a chegada de uma pessoa que representa uma ameaça, um pensamento, um gesto…

“You will have pain when your brain concludes that there is more credible evidence of danger (DIMs) than there is credible evidence of safety (SIMs)” - Lorimer Moseley.

A dor é a resposta que o cérebro considerada ser mais vantajosa perante a potencial ameaça. É uma estratégia do nosso corpo para nos proteger. Será tanto mais intensa quanto maior a percepção de perigo em mim (DIMs) em relação à segurança em mim (SIMs). Nesta perspetiva, a dor crónica não é um defeito do sistema, mas sim a perpetuação da resposta considerada como mais adequada, uma estratégia de proteção. O cérebro mantém esta resposta porque continua a haver mais Danger in Me que Safe in Me.

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