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4 Aug 2020

Hoje já olhou para os seus filhos?

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Hoje já olhou para os seus filhos?

Algumas alterações posturais, envolvendo a coluna vertebral e os membros inferiores, têm início na infância e na adolescência, ou seja, durante a fase de crescimento e desenvolvimento, acarretando problemas de saúde e de bem-estar dos jovens e futuros adultos.

A origem dessas alterações pode apresentar uma componente congénita, hereditária e/ou multifatorial, estando associadas a tempos inadequados de atividades escolares, transporte de mochilas com pesos elevados, mobiliário não adaptado às características ergométricas dos estudantes, grandes períodos sentados em frente ao computador e televisão, estilos de vida pouco saudáveis e sedentários.

O corpo da criança tende a compensar as forças a que a coluna vertebral está sujeita, a fim de alinhar os segmentos corporais realizando pequenos ajustes e adotando estratégias adaptativas, o que pode originar distúrbios musculares. Essas estratégias adaptativas e os distúrbios musculares, se não forem corrigidos, podem tornar-se definitivos desencadeando dor ou desconforto musculoesquelético, distúrbios funcionais (por exemplo: pulmonares, gastrointestinais) e levando ao desenvolvimento de patologia.

 

As alterações posturais mais frequentes são: cabeça inclinada com rotação; anteriorização da cabeça; elevação, depressão ou protusão dos ombros; abdução ou adução escapular; pectus excavatum (peito escavado); pectus carinatum (peito em quilha); hipercifose; hiperlordose; escoliose; joelhos valgos ou varos; pés planos, cavos ou equinos.

Deste modo, é importante sensibilizar a população para a importância do diagnóstico precoce destas alterações posturais, com o objetivo de prevenir a sua evolução e, possíveis, consequências. 

Para verificar se o seu filho(a) apresenta alguma alteração relevante, mesmo que não haja queixas de dor ou desconforto, é importante ter em conta os seguintes aspetos:

  • A criança deve estar de roupa interior;
  • Observá-la de frente na posição de pé (sinais de alerta: cabeça inclinada e/ou rodada para um lado; ombros e bacia desalinhados; ombros enrolados para a frente; meio do peito saliente; depressão no meio do peito; tronco inclinado para um lado; pernas arqueadas; joelhos juntos com pés afastados; planta dos pés com arco muito acentuado ou sem arco);
  • Observá-la de lado na posição de pé (sinais de alerta: cabeça projetada para a frente; curvatura do meio das costas (dorsal) muito acentuada; curvatura do fundo das costas (lombar) muito marcada; costas todas planas; joelhos muito esticados para trás; joelhos dobrados para a frente; tronco inclinado para a frente; todo o corpo ligeiramente projetado para a frente);
  • Observá-la de costas na posição de pé (sinais de alerta: cabeça inclinada e/ou rodada para um lado; ombros e bacia desalinhados; omoplatas desalinhadas e/ou muito salientes; tronco inclinado para um lado; pernas arqueadas; joelhos juntos com pés afastados. De pé, dobrada para a frente, ver uma e/ou duas zonas mais altas nas costas e/ou inclinar o tronco para um lado);
  • Não existe uma idade específica ou momento para olhar para o seus filhos. Durante o crescimento, o corpo está em constante modificação por isso este deve tornar-se um hábito regular, e principalmente mais frequente quando nota que o seu filho(a) “deu um salto” em crescimento.

Na eventualidade de detetar alguns destes sinais de alerta, que podem ser acompanhados ou não de queixas de dor ou desconforto, é preferível procurar uma avaliação específica para despiste de patologia específica, eventual necessidade de tratamento e correção das alterações como forma preventiva de instalação de sintomatologia e patologia e aconselhamento futuro.

Lembre-se, quanto mais cedo são detetadas as alterações posturais, mais fácil e rapidamente são corrigidas.

Curiosidade - O Dia Mundial da Coluna assinala-se a 16 de outubro. 

 

Jessica Margarido

Fisioterapeuta

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