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27 mar 2026

Voltar a mexer-se depois da dor: o maior erro que pode estar a cometer

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Voltar a mexer-se depois da dor: o maior erro que pode estar a cometer

Após um episódio de dor, é frequente existir uma redução da atividade física e das rotinas habituais. Em muitos casos, esta adaptação inicial é adequada. No entanto, quando se prolonga no tempo, pode contribuir para a manutenção dos sintomas e para a diminuição da capacidade funcional.

Com o regresso a períodos de maior atividade, como acontece frequentemente nesta altura do ano, surge a intenção de retomar o exercício ou outras práticas físicas. É neste contexto que se observam dois padrões comuns: evitar o movimento por receio de agravamento ou retomar a atividade ao nível anterior, sem uma progressão adequada. Nenhuma destas abordagens tende a ser eficaz a médio prazo.

 

O impacto da inatividade
A redução prolongada da atividade física está associada a alterações relevantes no sistema musculoesquelético e no organismo em geral. Entre as mais frequentes encontram-se:

  • diminuição da força muscular
  • redução da capacidade funcional
  • menor tolerância à carga
  • aumento da sensibilidade à dor

Estas alterações podem fazer com que atividades previamente bem toleradas passem a desencadear desconforto ou limitação.

 

Dor e evitamento do movimento
Após um episódio de dor, é comum surgir receio em relação ao movimento. Este fenómeno, descrito na literatura como evitamento associado ao medo, pode influenciar a forma como a pessoa se relaciona com a atividade física.

A redução progressiva do movimento pode conduzir a um ciclo de descondicionamento, caracterizado por:

  • menor atividade
  • aumento da rigidez
  • maior atenção aos sinais corporais
  • manutenção ou agravamento da dor

Este padrão tem sido associado à persistência de sintomas em diferentes condições musculoesqueléticas.

 

O regresso abrupto à atividade
Quando a dor diminui, é frequente a tentativa de retomar o nível de atividade anterior. No entanto, após um período de menor exigência, a capacidade dos tecidos para tolerar carga encontra-se reduzida.

Um aumento brusco da intensidade ou do volume de atividade pode ultrapassar essa capacidade e levar ao reaparecimento dos sintomas.

Este cenário é frequentemente interpretado como uma recaída, embora corresponda, na maioria dos casos, a uma desadequação entre a carga aplicada e a capacidade atual do organismo.

 

O regresso progressivo ao movimento
A abordagem mais consistente passa por um regresso progressivo à atividade, ajustado à condição atual da pessoa.

Este processo implica:

  • iniciar com níveis de carga adequados
  • progredir de forma gradual
  • integrar períodos de recuperação
  • monitorizar a resposta ao esforço

O objetivo é restabelecer a tolerância à carga e melhorar a capacidade funcional de forma sustentada.

 

O papel do movimento na recuperação
O movimento, quando devidamente ajustado, desempenha um papel central na recuperação da dor musculoesquelética. Está associado a:

  • melhoria da função
  • aumento da capacidade dos tecidos
  • modulação da dor
  • redução do impacto do medo associado ao movimento

Este enquadramento está de acordo com os modelos atuais de dor, que integram fatores físicos e psicossociais na sua compreensão.

 

O papel da fisioterapia
A fisioterapia permite enquadrar o regresso à atividade de forma estruturada e individualizada. Através de uma avaliação adequada, é possível:

  • identificar fatores que contribuíram para o aparecimento da dor
  • definir níveis iniciais de carga
  • orientar a progressão do exercício
  • ajustar o plano de acordo com a resposta da pessoa

O objetivo é promover um regresso ao movimento com segurança, reduzindo o risco de agravamento e aumentando a autonomia.

 

Em jeito de conclusão
A forma como se retoma a atividade após um episódio de dor é determinante para a evolução do quadro.

A inatividade prolongada pode contribuir para a persistência dos sintomas, enquanto um regresso abrupto pode levar ao seu agravamento.

Uma abordagem progressiva, ajustada à capacidade individual, permite restabelecer a função e reduzir a probabilidade de recorrência, de forma consistente e sustentada.

 

 

Referências bibliográficas
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