A dor no joelho e na anca é uma das queixas musculoesqueléticas mais frequentes, sobretudo a partir da meia-idade. Muitas vezes surge associada à ideia de “desgaste”, como se fosse um processo inevitável e sem solução.
Contudo, a evidência científica mostra que dor e alterações estruturais nem sempre estão diretamente relacionadas.
Dor não é igual a imagem
Estudos demonstram que alterações compatíveis com osteoartrose são frequentemente identificadas em exames de imagem de pessoas sem dor. Isto significa que a presença de “desgaste” numa radiografia ou ressonância magnética não explica, por si só, os sintomas.
A dor é uma experiência complexa, influenciada por fatores físicos, biológicos e também pelo contexto individual. Não depende exclusivamente do estado estrutural da articulação.
O que é a osteoartrose?
A osteoartrose é uma condição caracterizada por alterações progressivas na cartilagem e noutras estruturas articulares. Pode afetar o joelho, a anca e outras articulações.
As recomendações internacionais são consistentes: o tratamento de primeira linha deve incluir exercício terapêutico, educação e promoção da atividade física. O repouso prolongado não é recomendado como estratégia principal.
Porque pode a dor persistir?
A dor pode manter-se quando existe:
- diminuição da força muscular
- redução da atividade física por receio
- perda de tolerância da articulação à carga
Evitar completamente o movimento tende a reduzir ainda mais essa tolerância. A articulação precisa de carga adequada para manter função.
O papel da fisioterapia
Na Physioclem, a intervenção começa por uma avaliação funcional detalhada, que inclui análise da marcha, da subida e descida de escadas, da força da anca e do joelho e do padrão de movimento.
A abordagem baseia-se sobretudo em:
Exercício terapêutico progressivo
O exercício é considerado intervenção de primeira linha nas principais recomendações internacionais para a osteoartrose do joelho e da anca.
Educação
Compreender que dor não significa necessariamente agravamento estrutural ajuda a reduzir medo e promover movimento seguro.
Gestão da carga
Ajustar temporariamente determinadas atividades permite manter movimento sem agravar sintomas.
Em jeito de conclusão
A dor no joelho e na anca não deve ser encarada automaticamente como uma sentença de desgaste irreversível.
Com avaliação adequada e intervenção baseada na evidência, é possível reduzir dor, melhorar função e manter um estilo de vida ativo.
Na Physioclem, a abordagem é individualizada, progressiva e centrada na recuperação da função — porque o movimento seguro é parte essencial do cuidado.
Referências bibliográficas
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