A dor no ombro é uma das queixas musculoesqueléticas mais frequentes na população adulta, podendo afetar atividades simples como vestir um casaco, alcançar um objeto ou dormir sobre o lado afetado.
Apesar de comum, nem sempre significa uma lesão estrutural grave. A dor é uma experiência complexa, influenciada por fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Porque dói o ombro?
O ombro apresenta grande mobilidade e depende da coordenação entre várias estruturas. As causas mais frequentes incluem dor relacionada com a coifa dos rotadores, sobrecarga repetitiva e alterações do controlo escapular.
Importa sublinhar que alterações estruturais, como roturas parciais da coifa, são frequentemente encontradas em pessoas sem dor, sobretudo com o avançar da idade. Assim, a presença de alterações na imagem não explica, por si só, os sintomas.
Porque pode a dor persistir?
A persistência da dor pode estar associada a:
- manutenção de cargas excessivas
- redução do movimento por receio
- défice de força e controlo
- fatores psicossociais, como medo ou catastrofização
A evidência atual recomenda uma abordagem ativa, centrada na progressão gradual da carga e na recuperação da função.
Como a fisioterapia pode ajudar?
A intervenção começa por uma avaliação clínica detalhada, incluindo análise do movimento, força, controlo e padrão funcional.
A abordagem baseia-se em:
Educação
Compreender a dor reduz medo e aumenta confiança.
Exercício terapêutico progressivo
O exercício é considerado intervenção de primeira linha na dor relacionada com a coifa dos rotadores.
Gestão da carga
Ajustar atividades temporariamente, sem eliminar o movimento.
Acompanhamento individualizado
Cada plano é adaptado à realidade do utente.
Conclusão
A dor no ombro é comum, mas raramente deve ser encarada como irreversível. Com avaliação adequada e intervenção baseada na evidência, é possível recuperar função, reduzir dor e devolver confiança ao movimento.
Na Physioclem, cuidamos do ombro, e da pessoa, de forma integrada, responsável e baseada na ciência.
Referências bibliográficas
Raja SN, Carr DB, Cohen M, Finnerup NB, Flor H, Gibson S, et al. The revised International Association for the Study of Pain definition of pain: concepts, challenges, and compromises. Pain. 2020;161(9):1976–1982. doi:10.1097/j.pain.0000000000001939.
Teunis T, Lubberts B, Reilly BT, Ring D. A systematic review and pooled analysis of rotator cuff tear prevalence in asymptomatic individuals. J Shoulder Elbow Surg. 2014;23(5):e91–e100. doi:10.1016/j.jse.2013.10.001.
Martinez-Calderon J, Zamora-Campos C, Navarro-Ledesma S, Luque-Suarez A. The role of psychological factors in patients with rotator cuff–related shoulder pain: a systematic review. Br J Sports Med. 2018;52(22):1452–1459. doi:10.1136/bjsports-2017-098325.
Littlewood C, Bateman M, Clark D, Selfe J, Watkins R, et al. Rehabilitation for rotator cuff–related shoulder pain: a systematic review. Br J Sports Med. 2020;54(11):641–650. doi:10.1136/bjsports-2019-101229.