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29 jan 2026

Articulação Temporomandibular (ATM): dor no maxilar, estalidos, ranger dos dentes e a ligação às dores de cabeça

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Articulação Temporomandibular (ATM): dor no maxilar, estalidos, ranger dos dentes e a ligação às dores de cabeça

Porque este tema importa

Dor no maxilar, estalidos ao abrir a boca, dificuldade em mastigar, dor facial, tensão no pescoço e dores de cabeça (incluindo enxaqueca) são queixas comuns e, muitas vezes, interligadas. Em muitos casos, a origem pode estar relacionada com a articulação temporomandibular (ATM) e com o conjunto de condições conhecidas como disfunções temporomandibulares (DTM).

A boa notícia: quando bem avaliadas, estas queixas tendem a ser compreendidas e cuidadas com estratégias seguras e baseadas na evidência.

 

O que é a ATM (e porque pode doer)

A ATM é a articulação que liga a mandíbula ao crânio e participa em funções essenciais: falar, mastigar, bocejar e engolir. É uma articulação complexa, com componentes ósseos, musculares e um disco articular. Por isso, alterações na função, sobrecarga ou sensibilização podem traduzir-se em sintomas variados.

A dor pode manifestar-se como:

  • dor no maxilar (à frente do ouvido)
  • dor ao mastigar, bocejar ou falar durante muito tempo
  • sensação de cansaço facial
  • estalidos (cliques) ou crepitação
  • limitação da abertura da boca ou “bloqueios”
  • dor referida para a cabeça, ouvido, face e pescoço

A classificação internacional reforça que a dor orofacial pode ter várias origens e deve ser enquadrada de forma rigorosa. International Classification of Orofacial Pain fornece esse enquadramento diagnóstico.

 

DTM: um “nome guarda-chuva” para diferentes situações

DTM não é um diagnóstico único. É um termo que agrupa diferentes condições, sobretudo:

  • DTM de origem muscular (por exemplo, dor nos músculos mastigatórios)
  • DTM de origem articular (por exemplo, alterações do disco ou inflamação)

Na prática clínica, um dos modelos mais utilizados para diagnóstico e investigação é o DC/TMD, que organiza critérios clínicos e integra também dimensões psicossociais relevantes.

 

Ranger ou apertar os dentes: bruxismo e sobrecarga

Muitas pessoas associam de imediato “ranger os dentes” a DTM. É verdade que o bruxismo (especialmente noturno) pode contribuir para sobrecarga muscular e articular, mas a relação não é “automática” nem igual em toda a gente.

A forma mais útil de olhar para isto é:

  • bruxismo pode ser um fator contributivo, não necessariamente “a causa” primária
  • stress, sono, hábitos e sensibilidade do sistema nervoso podem influenciar sintomas
  • o foco clínico não é “culpar o dente”, mas compreender o padrão de sobrecarga e o contexto

 

A ligação entre ATM, pescoço e cefaleias

Dor cervical e tensão nos trapézios coexistem frequentemente com dor na ATM. Isto não é surpreendente: cabeça, mandíbula e coluna cervical funcionam como um sistema integrado.

Além disso, muitas pessoas com DTM referem dores de cabeça recorrentes. Para enquadrar cefaleias com rigor, existe uma classificação internacional específica - a International Classification of Headache Disorders (ICHD-3) - essencial para distinguir padrões e orientar a abordagem clínica.

Este ponto é importante porque nem toda a dor de cabeça é igual e a avaliação deve respeitar sinais clínicos e história individual.

 

“A dor é real” (mesmo quando o exame não mostra “nada de grave”)

A ciência contemporânea descreve a dor como uma experiência sensorial e emocional, associada ou semelhante à associada a lesão tecidular. Esta definição foi revisada pela International Association for the Study of Pain (IASP) em 2020.

Isto ajuda a compreender porque é que:

  • a intensidade da dor pode variar muito entre pessoas
  • stress e sono podem amplificar sintomas
  • a imagem (RX/RM) nem sempre explica tudo
  • o cuidado precisa de ser centrado na pessoa, com explicação clara e estratégias progressivas

 

Como a fisioterapia pode ajudar (abordagem baseada na evidência)

A fisioterapia nas DTM tende a assentar em pilares como:

  • educação e literacia em dor (explicar com clareza, reduzir medo, ajustar expectativas)
  • exercício terapêutico (mandíbula e cervical, progressivo e adaptado)
  • estratégias de autorregulação (relaxamento mandibular, respiração, pausa de hábitos)
  • técnicas manuais quando apropriado, como complemento e não como solução única

Uma revisão sistemática recente sugere que a terapia manual aplicada a estruturas craniomandibulares pode melhorar dor e abertura da boca em pessoas com DTM, embora a qualidade e a heterogeneidade dos estudos justifiquem uma leitura prudente e individualização.

 

Quando procurar avaliação com mais atenção

Sem alarmismo, vale a pena procurar avaliação quando existe:

  • bloqueio persistente (“a boca não abre”)
  • dor progressiva intensa, trauma recente, febre, inchaço marcado
  • alteração neurológica (formigueiro/alterações de força na face)
  • perda de peso inexplicada, dor noturna persistente sem padrão mecânico
  • dor de cabeça com sinais neurológicos ou mudança súbita de padrão

 

Mensagem final

Dor no maxilar/ATM, estalidos, ranger dos dentes, dor facial e cefaleias podem estar relacionados, mas raramente se explicam por uma única causa. O cuidado mais eficaz é aquele que combina avaliação rigorosa, explicação clara e estratégias progressivas e individualizadas.

Na Physioclem, cuidamos de si, naturalmente: com proximidade, rigor e uma abordagem integrada para que possa voltar a comer, falar, dormir e viver com mais conforto e confiança.

 

 

Referências bibliográficas

International Classification of Orofacial Pain (ICOP), 1st edition. Cephalalgia. 2020;40(2):129–221. doi:10.1177/0333102419893823.

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Singh BP, Singh N, Jayaraman S, Kirubakaran R, Joseph S, Muthu MS, et al. Occlusal interventions for managing temporomandibular disorders. Cochrane Database Syst Rev. 2024;9(9):CD012850. doi:10.1002/14651858.CD012850.pub2.

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