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27 fev 2026

Dor Pélvica: compreender o desconforto antes de tratar

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Dor Pélvica: compreender o desconforto antes de tratar

A dor pélvica é uma condição frequente, mas muitas vezes silenciosa. Pode manifestar-se como dor durante as relações sexuais, dor ao evacuar, sensação de pressão ou peso na região pélvica, dor persistente no baixo-ventre ou desconforto sem causa evidente nos exames complementares.

Apesar de comum, continua a ser subvalorizada e, por vezes, mal compreendida.

 

O que é dor pélvica?

A dor pélvica crónica é geralmente definida como dor persistente ou recorrente na região pélvica com duração superior a três meses. Pode envolver estruturas musculoesqueléticas, viscerais, neurológicas ou uma combinação destas.

A definição moderna de dor reconhece que esta é uma experiência sensorial e emocional associada ou semelhante àquela associada a lesão tecidular real ou potencial. Isto significa que a dor pode existir mesmo quando não há lesão estrutural identificável nos exames.

 

Porque pode a dor persistir?

A dor pélvica pode manter-se por diferentes mecanismos, incluindo:

  • Alterações do tónus e coordenação do pavimento pélvico
  • Sensibilização do sistema nervoso
  • Experiências prévias dolorosas
  • Fatores emocionais e contextuais

A sensibilização central é um fenómeno reconhecido na literatura científica e pode contribuir para a persistência da dor mesmo após a resolução do fator inicial.

 

O papel do pavimento pélvico

O pavimento pélvico é um conjunto de músculos que sustenta os órgãos pélvicos, contribui para a continência urinária e fecal e participa na função sexual.

Tanto a fraqueza como a hiperatividade muscular podem estar associadas a dor. A avaliação especializada é fundamental para distinguir estas situações, uma vez que as estratégias de intervenção são distintas.

 

Fisioterapia pélvica: abordagem baseada na evidência

As guidelines europeias reconhecem a importância de uma abordagem multidisciplinar na dor pélvica crónica, incluindo a fisioterapia especializada.

A intervenção pode incluir:

  • Educação sobre dor
  • Reeducação do pavimento pélvico
  • Técnicas de relaxamento muscular
  • Exercício terapêutico individualizado
  • Trabalho respiratório e controlo motor

Revisões sistemáticas demonstram que intervenções fisioterapêuticas multimodais podem melhorar dor e função em mulheres com dor pélvica crónica.

 

Quando procurar avaliação?

É aconselhável procurar avaliação quando existe:

  • Dor pélvica persistente
  • Dor durante as relações sexuais
  • Sensação de pressão ou desconforto inexplicado
  • Impacto na qualidade de vida

A dor pélvica não deve ser normalizada nem ignorada.

 

Em jeito de conclusão

A dor pélvica é real, complexa e multifatorial. Com avaliação adequada e abordagem individualizada, é possível reduzir sintomas e recuperar qualidade de vida.

Na Physioclem, a fisioterapia pélvica é realizada com rigor científico, respeito e confidencialidade, integrando conhecimento técnico e cuidado humano.

 

 

Referências bibliográficas

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