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28 abr 2026

Movimento: mais do que força e mobilidade

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Movimento: mais do que força e mobilidade

A avaliação do movimento é frequentemente associada à presença de dor ou lesão. No entanto, a forma como nos movemos pode e deve ser analisada mesmo na ausência de sintomas.

O movimento resulta da interação entre múltiplos sistemas - musculoesquelético, neurológico e respiratório - e reflete a capacidade do corpo para responder às exigências do dia a dia e da atividade física.

Alterações neste sistema podem não ser imediatamente evidentes, mas podem influenciar a forma como a carga é distribuída, como o corpo se adapta ao esforço e como responde ao aumento de exigência.

 

Movimento: mais do que força e mobilidade

A qualidade do movimento não depende apenas da força ou da amplitude articular.

Envolve também:

  • controlo motor
  • coordenação
  • variabilidade
  • capacidade de adaptação

Um movimento eficiente é aquele que consegue responder a diferentes contextos sem sobrecarregar estruturas específicas.

 

Porque não esperar pela dor?

A dor é muitas vezes o primeiro sinal que leva à procura de ajuda. No entanto, quando surge, o processo pode já estar em curso há algum tempo.

Padrões de movimento menos eficientes, repetidos ao longo do tempo, podem contribuir para uma distribuição inadequada da carga, aumentando a probabilidade de aparecimento de sintomas.

Avaliar o movimento antes da dor permite identificar estes padrões e intervir de forma precoce.

 

O que significa avaliar o movimento?

A avaliação do movimento consiste na análise da forma como a pessoa executa determinadas tarefas, tendo em conta o seu contexto, objetivos e exigências.

Pode incluir:

  • padrões de movimento no dia a dia
  • execução de gestos desportivos
  • controlo postural
  • resposta à carga

Não se trata de procurar um modelo ideal, mas de compreender a capacidade individual e a forma como o corpo se adapta.

 

Variabilidade e adaptação

O corpo humano não se move sempre da mesma forma e isso é desejável.

A variabilidade do movimento permite distribuir a carga por diferentes estruturas e adaptar-se a diferentes situações. Uma menor variabilidade pode associar-se a padrões mais rígidos e repetitivos, com maior risco de sobrecarga.

Promover a capacidade de adaptação é, por isso, um dos objetivos da avaliação e intervenção.

 

O papel da fisioterapia

A fisioterapia pode desempenhar um papel importante na avaliação do movimento, mesmo em pessoas sem dor.

Através de uma abordagem individualizada, é possível:

  • identificar padrões de movimento
  • compreender a relação entre carga e capacidade
  • orientar estratégias de melhoria
  • integrar o movimento na prática diária ou desportiva

O objetivo não é apenas prevenir sintomas, mas melhorar a eficiência e a capacidade de resposta do corpo.

 

Em jeito de conclusão

A avaliação do movimento não deve ser reservada apenas a situações de dor.

Compreender como o corpo se move permite antecipar adaptações, ajustar a carga e melhorar a forma como se responde às exigências do dia a dia e do exercício.

Intervir precocemente não significa antecipar problemas, mas promover uma prática mais eficiente, segura e consistente ao longo do tempo, de forma sustentada.

 

Referências bibliográficas

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