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21 out 2026

Na menopausa, a dor não deve ser normalizada

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Na menopausa, a dor não deve ser normalizada

A menopausa é uma fase natural da vida, mas isso não significa que todos os sintomas devam ser vividos em silêncio ou tratados como inevitáveis. O corpo muda, sim. Mas quando a dor começa a limitar o dia a dia, o movimento, o sono, o exercício, a vida íntima ou a confiança no corpo, merece atenção.

Durante muito tempo, a menopausa foi comunicada quase sempre através dos mesmos sintomas: afrontamentos, alterações de humor, sono, irregularidade menstrual ou alterações hormonais. Tudo isto pode fazer parte da experiência de muitas mulheres, mas não conta a história toda.

A dor também pode fazer parte desta fase. E não deve ser normalizada.

 

Dor na menopausa: o que pode acontecer?

Na transição para a menopausa e após a menopausa, algumas mulheres referem dor articular, dor muscular, dor lombar, rigidez, sensação de corpo mais pesado, maior cansaço, desconforto pélvico ou diminuição da confiança no movimento.

A investigação tem vindo a dar mais atenção a esta relação. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2020 analisou a dor musculoesquelética durante a transição menopáusica e encontrou uma associação entre esta fase e maior vulnerabilidade para sintomas musculoesqueléticos. Mais recentemente, a International Menopause Society escolheu como tema do Dia Mundial da Menopausa de 2026 a dor crónica na meia-idade, reforçando a importância de reconhecer melhor este problema.

Isto não significa que toda a dor nesta fase seja causada pela menopausa. A dor é multifatorial. Pode envolver alterações hormonais, idade, sono, stress, composição corporal, atividade física, história de lesões, doenças reumáticas, alterações musculares, fatores emocionais e contexto de vida.

Mas significa que a dor não deve ser descartada com frases como “é da idade” ou “é normal nesta fase”.

 

O corpo muda. O cuidado também deve mudar.

A diminuição dos níveis de estrogénio pode influenciar vários tecidos e sistemas do corpo. Muitas mulheres sentem alterações na massa muscular, na força, na composição corporal, na saúde óssea, na função pélvica, na qualidade do sono e na forma como recuperam do esforço.

Por isso, o cuidado nesta fase deve ser global. Não basta olhar para uma dor isolada. É importante perceber como a mulher se move, como dorme, como respira, como está a sua força, que atividades evita, que limitações surgiram e que objetivos quer recuperar.

A NICE recomenda explicar às pessoas em menopausa a importância de manter massa muscular e força através da atividade física. Esta recomendação é particularmente relevante porque a força não é apenas uma questão de exercício ou estética. É uma condição para viver melhor, com mais segurança, autonomia e confiança.

 

Dor lombar, dor pélvica e pavimento pélvico

Na menopausa, algumas mulheres podem sentir alterações relacionadas com o pavimento pélvico, como perdas urinárias, sensação de peso, desconforto pélvico, dor nas relações sexuais ou maior dificuldade em controlar certos sintomas. Estas queixas são frequentes, mas não devem ser vistas como algo que a mulher tem simplesmente de aceitar.

A Fisioterapia na Saúde da Mulher e a Fisioterapia Pélvica podem ajudar a avaliar a função do pavimento pélvico, a respiração, a postura, a mobilidade da bacia, a força, a dor e a relação entre estes fatores.

Também a dor lombar ou a rigidez corporal devem ser avaliadas de forma individual. Em alguns casos, o corpo precisa de recuperar mobilidade. Noutros, precisa de força. Muitas vezes, precisa de ambos, com progressão e orientação.

 

Exercício não é castigo. É cuidado.

Muitas mulheres chegam a esta fase da vida com uma relação difícil com o exercício. Algumas porque nunca treinaram. Outras porque deixaram de se sentir confortáveis no corpo. Outras porque têm dor, medo de piorar ou experiências anteriores pouco positivas.

Mas o exercício não tem de ser intenso, rígido ou igual para todas. Pode começar de forma simples, adaptada e segura. Pode ter como objetivo diminuir medo, melhorar função, recuperar força, apoiar a saúde óssea, melhorar equilíbrio, reduzir rigidez, aumentar tolerância ao esforço e devolver confiança.

Na Physioclem, o acompanhamento nesta fase pode integrar Fisioterapia na Saúde da Mulher, Fisioterapia Pélvica, Fisioterapia Musculoesquelética, Osteopatia e Exercício Clínico, sempre com avaliação individual e objetivos ajustados à mulher.

 

Não é sobre voltar atrás. É sobre viver melhor agora.

A menopausa não deve ser tratada como uma perda do corpo que existia antes. Deve ser entendida como uma fase que pede outro olhar, outra escuta e outro tipo de cuidado.

Quando a dor interfere com a vida, quando o corpo parece menos disponível, quando o movimento traz insegurança ou quando sintomas pélvicos, lombares ou musculoesqueléticos começam a limitar a rotina, procurar avaliação pode fazer diferença.

Na menopausa, a dor não deve ser normalizada. Deve ser compreendida, avaliada e acompanhada.

Porque cuidar nesta fase não é contrariar o tempo. É ajudar o corpo a viver melhor com ele.

 

 

Referências bibliográficas

Lu CB, Liu PF, Zhou YS, Meng FC, Qiao TY, Yang XJ, et al. Musculoskeletal pain during the menopausal transition: a systematic review and meta-analysis. Neural Plast. 2020;2020:8842110. doi:10.1155/2020/8842110.

International Menopause Society. World Menopause Day 2026: chronic pain at midlife [Internet].

National Institute for Health and Care Excellence. Menopause: identification and management. NICE guideline NG23 [Internet]. London: NICE; 2015, updated.

Bull FC, Al-Ansari SS, Biddle S, Borodulin K, Buman MP, Cardon G, et al. World Health Organization 2020 guidelines on physical activity and sedentary behaviour. Br J Sports Med. 2020;54(24):1451-1462. doi:10.1136/bjsports-2020-102955.

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