A atualização científica e a partilha de conhecimento fazem parte do compromisso da Physioclem com a qualidade dos cuidados prestados. Nos dias 25 e 26 de setembro, a nossa fisioterapeuta Jessica Margarido, especializada na área oncológica e nas patologias linfáticas, participou no Congresso Europeu de Linfologia, em Valência.
Neste artigo, a Jessica partilha as principais novidades científicas apresentadas no congresso e reflete sobre os avanços e desafios da fisioterapia nesta área, particularmente no contexto português.
Compreender o Linfedema e o Lipedema
A fisioterapia dermatofuncional e oncológica foca-se em patologias complexas como o linfedema, uma condição crónica, evolutiva e sem cura, que pode ter origem congénita (primária), traumática ou associada ao tratamento oncológico. Outra patologia que ganhou grande destaque no congresso foi o lipedema, uma condição cada vez mais reconhecida e com forte impacto no sistema linfático.
Em ambos os casos, a intervenção atempada da fisioterapia é crucial. Sendo doenças crónicas e progressivas, o nosso papel foca-se no controlo dos sintomas, na travagem da evolução da doença e na educação do paciente para a autogestão.
A Revolução na Avaliação: Mais Tecnologia e Precisão
Felizmente, a ciência tem investido em métodos de avaliação mais eficazes e validados. O congresso demonstrou que o futuro do diagnóstico passa pelo uso de tecnologia avançada no gabinete de fisioterapia, destacando-se:
- Balanças de Bioimpedância: Para uma análise rigorosa da composição corporal e fluidos.
- Lymphscanner: Essencial na deteção precoce de alterações hídricas locais.
- Ultrassom (Ecografia): Utilizado para avaliar a qualidade e integridade do tecido cutâneo e monitorizar alterações dérmicas.
Tratamento: Entre o Padrão de Ouro e a Inovação Cirúrgica
No que toca ao tratamento físico, Portugal continua perfeitamente alinhado com as guidelines internacionais. A Terapia Linfática Descongestiva (TLD), com todos os seus pilares, mantém-se como a primeira linha de atuação e o padrão de ouro.
Por outro lado, assiste-se a um crescimento notável de abordagens cirúrgicas por parte da cirurgia vascular e plástica, nomeadamente através de LVA (anastomoses linfovenosas) e, mais recentemente, das Biobridges.
O Desafio dos Protocolos Pré e Pós-Operatórios
Este avanço cirúrgico traz um novo desafio para a fisioterapia: que protocolos devemos seguir?
A literatura científica atual ainda é escassa e pouco consensual no que respeita ao pós-operatório, dividindo-se entre a não-intervenção e a atuação imediata. No entanto, há um consenso absoluto no pré-operatório: a intervenção com TLD é fundamental para preparar os tecidos para o ato cirúrgico.
A Realidade em Portugal: Excelência Técnica vs. Falta de Diagnóstico
Regresso deValência com uma certeza: os fisioterapeutas que escolhem esta especialização em Portugal têm acesso a formação de excelência. Estamos a par do que de melhor se faz lá fora. Contudo, enfrentamos ainda dois grandes obstáculos no nosso país:
- A falta de diagnóstico atempado por parte da comunidade médica.
- A necessidade de um maior e mais rápido encaminhamento dos pacientes para fisioterapeutas devidamente especializados.
A Mensagem-Chave do Congresso:
O foco do futuro da saúde linfática resume-se a três pilares: Avaliar com precisão, identificar casos de risco e prevenir antes que a patologia se instale permanentemente.
Jessica Margarido
Fisioterapeuta especializada na área oncológica e patologia linfática