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8 out 2026

Depois do cancro da mama, o corpo também precisa de cuidado

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Depois do cancro da mama, o corpo também precisa de cuidado

O tratamento do cancro da mama é uma etapa exigente, muitas vezes longa, física e emocionalmente marcante. Cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapêutica hormonal ou outros tratamentos podem ter impacto no corpo muito além da fase mais visível da doença.

Por isso, quando se fala em recuperação, não devemos pensar apenas no fim do tratamento médico. Devemos também olhar para a forma como a pessoa regressa à sua vida, ao movimento, ao descanso, ao trabalho, às tarefas diárias, ao exercício e à confiança no próprio corpo.

Depois do cancro da mama, o corpo também precisa de cuidado.

 

O que pode mudar no corpo?

Cada pessoa vive este processo de forma diferente, mas é comum surgirem alterações relacionadas com a mobilidade do ombro, a força do braço, a sensibilidade da cicatriz, a postura, a fadiga, a respiração, a dor, o receio de mexer ou a sensação de que o corpo deixou de responder da mesma forma.

Em alguns casos, pode existir também risco de linfedema, uma condição associada à acumulação de líquido e edema, geralmente no braço, mão, mama ou parede torácica. Nem todas as pessoas desenvolvem linfedema, mas quando há sinais como sensação de peso, inchaço, tensão, alteração de volume ou desconforto persistente, a avaliação deve ser feita por profissionais habilitados.

A Organização Mundial da Saúde sublinha a importância de equipas multidisciplinares no acompanhamento do cancro da mama, incluindo fisioterapeutas e equipas de reabilitação, durante e após a conclusão dos tratamentos.

 

O medo de mexer também precisa de ser ouvido

Depois de uma cirurgia ou de tratamentos oncológicos, é natural que algumas pessoas tenham receio de mexer o braço, fazer esforço, voltar ao exercício ou retomar atividades que antes eram simples. Esse receio não deve ser desvalorizado.

O medo pode levar a movimentos mais protegidos, menor mobilidade, perda de força e redução progressiva da atividade. O corpo começa a adaptar-se à limitação, e aquilo que inicialmente era uma forma de proteção pode transformar-se numa barreira à recuperação.

A fisioterapia pode ajudar a perceber o que está a limitar o movimento, quais os sinais que exigem maior atenção e como regressar, de forma gradual e segura, às atividades do dia a dia.

 

O exercício é parte do cuidado

Durante muitos anos, o repouso foi visto como uma resposta quase automática após doença oncológica. Hoje, a evidência mostra uma realidade mais completa: o exercício, quando adaptado à condição clínica, aos tratamentos realizados e ao momento da pessoa, pode ter um papel importante na recuperação funcional, na fadiga, na qualidade de vida e na confiança.

As recomendações internacionais de exercício para sobreviventes de cancro defendem que, de forma geral, as pessoas devem evitar a inatividade e que o exercício pode ser seguro e benéfico quando devidamente orientado.

No caso do linfedema relacionado com o cancro da mama, o National Institute for Health and Care Excellence (NICE), organismo britânico de referência na elaboração de recomendações clínicas baseadas na evidência científica, recomenda tranquilizar as pessoas, explicando que não há evidência de que a atividade física, incluindo exercício do membro superior, agrave o linfedema, podendo até contribuir para a melhoria da qualidade de vida.

 

O papel da fisioterapia depois do cancro da mama

A fisioterapia pode ter um papel importante em várias fases da recuperação. A intervenção pode incluir avaliação da mobilidade do ombro, função do braço, força, postura, cicatriz, dor, alterações de sensibilidade, respiração, fadiga, tolerância ao esforço e impacto das limitações nas tarefas diárias.

Mais do que aplicar um conjunto fixo de exercícios, o acompanhamento deve respeitar a história clínica, o tipo de cirurgia, os tratamentos realizados, os sintomas presentes, os objetivos da pessoa e a fase em que se encontra.

Na Physioclem, a abordagem ao corpo depois do cancro da mama pode integrar Fisioterapia Oncológica, Exercício Clínico, Fisioterapia na Saúde da Mulher e acompanhamento individualizado, sempre de acordo com as necessidades de cada pessoa.

 

Recuperar também é voltar a confiar

Há recuperações que não se medem apenas em graus de movimento, força ou dor. Medem-se também na capacidade de voltar a vestir uma camisola sem receio, pegar num objeto, pentear o cabelo, conduzir, trabalhar, brincar com os filhos ou netos, dormir melhor, respirar com mais liberdade ou voltar a sentir o corpo como seu.

O tratamento médico é essencial. Mas o caminho de recuperação pode continuar muito para além dele.

Depois do cancro da mama, cuidar do corpo não é vaidade, nem detalhe, nem uma etapa menor. É parte da reconstrução da confiança, da autonomia e da qualidade de vida.

O cuidado não termina quando o tratamento acaba. Muitas vezes, é aí que começa uma nova etapa.

 

Referências bibliográficas

World Health Organization. Breast cancer [Internet]. Geneva: WHO; 2026 [cited 2026 Sep 28]. 

Campbell KL, Winters-Stone KM, Wiskemann J, May AM, Schwartz AL, Courneya KS, et al. Exercise guidelines for cancer survivors: consensus statement from International Multidisciplinary Roundtable. Med Sci Sports Exerc. 2019;51(11):2375-2390. doi:10.1249/MSS.0000000000002116.

National Institute for Health and Care Excellence. Early and locally advanced breast cancer: diagnosis and management. NICE guideline NG101 [Internet]. London: NICE; 2018, updated.

Schmitz KH, Campbell AM, Stuiver MM, Pinto BM, Schwartz AL, Morris GS, et al. Exercise is medicine in oncology: engaging clinicians to help patients move through cancer. CA Cancer J Clin. 2019;69(6):468-484. doi:10.3322/caac.21579.

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