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21 jan 2026

Dor na Articulação Temporomandibular (ATM): compreender para cuidar melhor

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Dor na Articulação Temporomandibular (ATM): compreender para cuidar melhor

A dor na articulação temporomandibular (ATM) é uma das causas mais frequentes de dor orofacial e pode manifestar-se de várias formas: dor no maxilar, estalidos ao abrir ou fechar a boca, dificuldade em mastigar, dores de cabeça, tensão no pescoço ou sensação de cansaço facial. Apesar de comum, continua a ser uma condição pouco compreendida por quem a sente.

Atualmente, sabe-se que os problemas da ATM - frequentemente agrupados sob o termo Disfunções Temporomandibulares (DTM) - não resultam apenas de alterações estruturais locais, mas de uma interação complexa entre fatores musculares, articulares, neurológicos e psicossociais. Esta visão está alinhada com o modelo biopsicossocial da dor, amplamente aceite pelas principais entidades internacionais de dor.

 

O que é a ATM e porque pode doer

A articulação temporomandibular liga o maxilar inferior (mandíbula) ao osso temporal do crânio e está envolvida em funções essenciais como falar, mastigar, bocejar e engolir. É uma articulação altamente especializada, que combina movimentos de rotação e translação.

A dor associada à ATM pode ter diferentes origens, incluindo:

  • sobrecarga muscular mastigatória
  • alterações do disco articular
  • limitação ou alteração do movimento mandibular
  • sensibilização do sistema nervoso
  • fatores de stress, sono e hábitos parafuncionais (como ranger ou apertar os dentes)

Nem sempre existe uma relação direta entre alterações visíveis em exames de imagem e a intensidade da dor sentida, o que reforça a necessidade de uma avaliação clínica cuidadosa e individualizada, algo consistente com o conhecimento atual sobre dor musculoesquelética e temporomandibular.

 

DTM: uma condição multifatorial

A evidência científica atual descreve as DTM como condições multifatoriais, onde fatores biológicos, psicológicos e sociais se interligam. Este enquadramento está alinhado com o modelo biopsicossocial da dor.

Pessoas com DTM apresentam frequentemente associação com:

  • cefaleias, incluindo enxaqueca
  • dor cervical e tensão nos ombros
  • perturbações do sono
  • níveis elevados de stress
  • outras condições de dor persistente

Este padrão sugere que a ATM não deve ser avaliada de forma isolada, mas integrada no funcionamento global da pessoa.

 

Avaliação e abordagem em fisioterapia

A fisioterapia desempenha um papel relevante na avaliação e acompanhamento das disfunções temporomandibulares, através de uma abordagem centrada na pessoa e baseada na evidência científica.

A avaliação inclui, entre outros aspetos:

  • análise do movimento mandibular
  • avaliação muscular e articular
  • relação com a coluna cervical
  • padrões de dor e funcionalidade
  • fatores de estilo de vida relevantes

A intervenção pode envolver educação em dor, estratégias de autorregulação, exercício terapêutico, técnicas manuais e integração com outros profissionais de saúde, sempre que necessário, de acordo com a melhor evidência disponível para DTM.

Importa sublinhar que não existe uma solução única para todas as pessoas com dor na ATM. O cuidado eficaz passa por compreender o contexto individual e ajustar a intervenção de forma progressiva e segura.

 

Em jeito de conclusão

A dor na ATM é real, frequente e pode ter impacto significativo na qualidade de vida. A boa notícia é que, quando compreendida de forma adequada e abordada com base científica, pode ser cuidada de forma eficaz.

Na Physioclem, a abordagem à ATM integra conhecimento clínico, escuta ativa e respeito pelo ritmo de cada pessoa, procurando sempre uma resposta fundamentada, segura e humana.

 

 

 

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