A dor na articulação temporomandibular (ATM) é uma das causas mais frequentes de dor orofacial e pode manifestar-se de várias formas: dor no maxilar, estalidos ao abrir ou fechar a boca, dificuldade em mastigar, dores de cabeça, tensão no pescoço ou sensação de cansaço facial. Apesar de comum, continua a ser uma condição pouco compreendida por quem a sente.
Atualmente, sabe-se que os problemas da ATM - frequentemente agrupados sob o termo Disfunções Temporomandibulares (DTM) - não resultam apenas de alterações estruturais locais, mas de uma interação complexa entre fatores musculares, articulares, neurológicos e psicossociais. Esta visão está alinhada com o modelo biopsicossocial da dor, amplamente aceite pelas principais entidades internacionais de dor.
O que é a ATM e porque pode doer
A articulação temporomandibular liga o maxilar inferior (mandíbula) ao osso temporal do crânio e está envolvida em funções essenciais como falar, mastigar, bocejar e engolir. É uma articulação altamente especializada, que combina movimentos de rotação e translação.
A dor associada à ATM pode ter diferentes origens, incluindo:
- sobrecarga muscular mastigatória
- alterações do disco articular
- limitação ou alteração do movimento mandibular
- sensibilização do sistema nervoso
- fatores de stress, sono e hábitos parafuncionais (como ranger ou apertar os dentes)
Nem sempre existe uma relação direta entre alterações visíveis em exames de imagem e a intensidade da dor sentida, o que reforça a necessidade de uma avaliação clínica cuidadosa e individualizada, algo consistente com o conhecimento atual sobre dor musculoesquelética e temporomandibular.
DTM: uma condição multifatorial
A evidência científica atual descreve as DTM como condições multifatoriais, onde fatores biológicos, psicológicos e sociais se interligam. Este enquadramento está alinhado com o modelo biopsicossocial da dor.
Pessoas com DTM apresentam frequentemente associação com:
- cefaleias, incluindo enxaqueca
- dor cervical e tensão nos ombros
- perturbações do sono
- níveis elevados de stress
- outras condições de dor persistente
Este padrão sugere que a ATM não deve ser avaliada de forma isolada, mas integrada no funcionamento global da pessoa.
Avaliação e abordagem em fisioterapia
A fisioterapia desempenha um papel relevante na avaliação e acompanhamento das disfunções temporomandibulares, através de uma abordagem centrada na pessoa e baseada na evidência científica.
A avaliação inclui, entre outros aspetos:
- análise do movimento mandibular
- avaliação muscular e articular
- relação com a coluna cervical
- padrões de dor e funcionalidade
- fatores de estilo de vida relevantes
A intervenção pode envolver educação em dor, estratégias de autorregulação, exercício terapêutico, técnicas manuais e integração com outros profissionais de saúde, sempre que necessário, de acordo com a melhor evidência disponível para DTM.
Importa sublinhar que não existe uma solução única para todas as pessoas com dor na ATM. O cuidado eficaz passa por compreender o contexto individual e ajustar a intervenção de forma progressiva e segura.
Em jeito de conclusão
A dor na ATM é real, frequente e pode ter impacto significativo na qualidade de vida. A boa notícia é que, quando compreendida de forma adequada e abordada com base científica, pode ser cuidada de forma eficaz.
Na Physioclem, a abordagem à ATM integra conhecimento clínico, escuta ativa e respeito pelo ritmo de cada pessoa, procurando sempre uma resposta fundamentada, segura e humana.
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